A empresa norueguesa reMarkable enfrentava um gargalo clássico de crescimento: o volume de solicitações de TI aumentava mais rápido do que o time de suporte conseguia absorver. A solução não foi contratar mais analistas. Foi implementar agentes de IA capazes de resolver demandas de ponta a ponta — desde a criação de contas até a configuração de hardware — antes mesmo do primeiro dia do novo funcionário. O resultado: escala sem inchaço, e onboarding percebido como diferencial da marca empregadora.
Como a reMarkable usou agentes de IA para escalar IT requests sem aumentar o headcount?
Em julho de 2025, a reMarkable tornou pública sua estratégia de agentes de IA para gerenciar suporte técnico de funcionários e clientes. A empresa implementou agentes capazes de interagir com sistemas internos e resolver problemas de ponta a ponta — não apenas responder perguntas a partir de bases estáticas.
Segundo dados reportados pela VentureBeat, a implementação permitiu processar milhares de solicitações mensais com uma fração do esforço humano anterior. No onboarding, o agente inicia automaticamente a criação de contas, atribuição de licenças de software e configuração de hardware assim que um novo contrato é assinado — navegando por Slack, Jira e sistemas de gestão de identidade de forma autônoma.
A escalabilidade moderna não depende de aumentar o número de cadeiras no escritório, mas de aumentar a capacidade computacional aplicada a workflows críticos. A adoção de agentes deve ser vista como uma decisão de design organizacional, não apenas de aquisição de software.
— Templo
Qual é a diferença técnica entre um chatbot convencional e um agente de onboarding?
A automação tradicional segue regras rígidas do tipo “se-então”: se o funcionário é do departamento de marketing, então liberar o Adobe Creative Cloud. Esse modelo quebra diante de exceções ou processos que exigem julgamento.
Os agentes de IA utilizam modelos de linguagem de grande escala para compreender intenções e contextos. Eles lidam com solicitações variadas e ambíguas — como “preciso do mesmo acesso que a coordenadora de design tem” — pesquisam quem é a coordenadora, identificam as licenças dela, verificam disponibilidade no orçamento e executam a solicitação ou encaminham para aprovação com todos os dados já estruturados.
No onboarding, atuam como orquestradores que conectam folha de pagamento, Slack, CRM e ferramentas de gestão de projetos. Também funcionam como tutores iniciais, respondendo dúvidas sobre cultura, benefícios e procedimentos consultando a base de conhecimento da empresa em tempo real.
Quais riscos de governança surgem com a implementação de agentes de onboarding?
O principal risco é a dispersão de ferramentas de IA — cada departamento adotando seus próprios agentes e criando um ecossistema fragmentado, caro e difícil de governar. A eficiência conquistada na automação pode ser rapidamente anulada pelo custo de gestão dessa complexidade.
Uma infraestrutura robusta exige que diferentes agentes “conversem” entre si e sigam as mesmas diretrizes de segurança. Sem essa unificação, a empresa troca o inchaço do headcount pelo inchaço tecnológico — onde a manutenção dos sistemas se torna tão pesada quanto o trabalho manual que eles se propuseram a substituir.
FAQ
O que faz um agente de onboarding de IA, na prática?
Um agente de onboarding automatiza o processo de integração de novos funcionários de ponta a ponta: cria contas em sistemas internos, atribui licenças de software, configura acessos de hardware, responde dúvidas sobre políticas internas e encaminha solicitações para aprovação quando necessário. Faz tudo isso antes mesmo do primeiro dia de trabalho, sem intervenção humana a cada etapa.
Como garantir segurança de dados com agentes autônomos no onboarding?
A segurança exige que o acesso da IA seja estritamente limitado pelo perfil de permissões de cada colaborador, que toda interação seja monitorada e que haja um caminho claro para intervenção humana quando a complexidade ou sensibilidade da demanda exigir. Tecnologias como RAG garantem que o agente acesse apenas dados internos autorizados, sem expor informações a modelos públicos.
O que é shadow IT na era da IA?
Shadow IT na era da IA é quando cada departamento adota ferramentas e agentes de inteligência artificial de forma independente, sem supervisão centralizada. O resultado é um ecossistema fragmentado de soluções desconectadas, com custos ocultos, riscos de segurança e duplicação de esforços. A governança centralizada é o antídoto.
Como o RH muda com a adoção de agentes de onboarding?
O profissional de RH deixa de ser analista de processos para se tornar designer de experiência do colaborador. Com a IA resolvendo o técnico — acessos, configurações, dúvidas burocráticas — o humano foca na aculturação, no desenvolvimento de habilidades comportamentais e na construção da conexão entre o novo funcionário e a cultura da empresa.
Qualquer empresa pode implementar agentes de onboarding?
A implementação exige uma base mínima: infraestrutura de dados organizada, governança de acesso definida e guardrails claros sobre o que o agente pode ou não fazer de forma autônoma. Empresas que tentam implementar agentes sem essa estrutura prévia criam vulnerabilidades de segurança ou geram ações indevidas. O plano de orquestração vem antes da contratação do software.
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